Encontros Cantanhede, História, Arte e Património
A história, a arte e o património constituem expressões maiores da memória de uma comunidade. Uma memória que, em sentido pleno, se constrói na relação entre o tempo vivido, a experiência partilhada e o devir. É soma de vivências, registo de realidades plurais e tecido de afetividades que atravessam gerações.
Foi neste espírito que se realizou, em 2022, o I Encontro Cantanhede – História, Arte e Património, desde logo assim designado por nascer com vocação de continuidade. Essa intenção confirmou-se em 2023, quando o II Encontro trouxe a reflexão e o debate a Cantanhede e a Ançã. Em 2025, sob o mote Cantanhede na Expansão, o III Encontro alargou horizontes, decorrendo em Cantanhede, Ançã e Lisboa.
O cruzamento do percurso de João de Ruão com Cantanhede surge agora como estímulo e desafio para que o IV Encontro – Cantanhede, História, Arte e Património adote, em 2026, o tema Revisitando João de Ruão, convidando à reinterpretação crítica e contemporânea de uma figura maior da nossa história artística e patrimonial, nos dias 27 de março (Cantanhede), 28 de março (Coimbra) e 15 de abril (Lisboa).
Foi presumivelmente pela mão de D.Jorge de Meneses, senhor de Cantanhede, que o artista, que o sobrenome toponímico denuncia como ruanense, recentemente chegado a Portugal, se deslocou das cercanias do Tejo para as do Mondego, para lavrar o retábulo da Varziela, antecâmara dos seus trabalhos em Coimbra. E a Cantanhede voltaria, agora pela mão desse edificador que foi D.João de Meneses, que sucedera no senhorio de Cantanhede em 1533, para, como testemunha o alvará do primeiro de junho de 1542, obrar no panteão dos Meneses, a capela situada do lado da Epístola da cabeceira da Matriz de Cantanhede.
A atenção historiográfica que tem merecido este artista multifacetado, figura central do Renascimento, tem-se incentivado, mas não sem colmatar questões que permanecem em aberto.
Daí justificar-se esta revisitação de João de Ruão, que reúne uma dezena de estudiosos para quem a figura era já conhecida.
Revisitar-se-ão a personalidade e os seus laços familiares, a génese da obra, a transversalidade dos modelos compositivos, as tipologias e modelos formais e estilísticos, a aplicação de princípios geométricos e matemáticos. Percorrer-se-ão os trabalhos em Cantanhede, Coimbra, na Sé Velha e em Santa Cruz, e em Sta.Iria de Tomar. Enunciar-se-ão questões, tecer-se-ão hipóteses, corroborar-se-ão elementos.
Espaços que o artista percorreu, Cantanhede, a Sé Velha de Coimbra e o Mosteiro de Santa Cruz, com o seu jardim da Manga serão o espaço desta revisitação|. Depois, rememorando seu filho Jerónimo, que herdou a vocação arquitetónica paterna, estender-se-á o itinerário a Lisboa, a Igreja da Luz e o Mosteiro de Santa Maria de Belém, cujos altares-mores traçou.
COMISSÃO ORGANIZADORA
Fernando Oudinot Larcher- Afiliação:
- Círculo Português de Estudos Humanísticos
José das Candeias Sales- Afiliação:
- Universidade Aberta
Maria Madalena G.B. Pessoa Jorge Oudinot Larcher- Afiliação:
- Círculo Português de Estudos Humanísticos
Pedro António Vaz Cardoso- Afiliação:
- Câmara Municipal de Cantanhede
Pedro de Sá Nogueira Saraiva- Afiliação:
- Círculo Português de Estudos Humanísticos – Humana.Idade XXI
Sónia Valente- Afiliação:
- Universidade Aberta
Centro Local de Aprendizagem da Universidade Aberta em Cantanhede
