O desaparecido Claustro da Portaria, com arcarias sobre colunas, foi levantado cerca de 1528, no âmbito da grande reforma do Mosteiro de Santa Cruz, de pendor renascentista, promovida por D. João III. Situava-se sobre o local do antigo mosteiro feminino das Donas (entretanto extinto), onde hoje se implanta o atual edifício da Câmara Municipal de Coimbra. Entre o referido Claustro da Portaria e o do Silêncio, a meio da ala nascente daquele, situava-se a Capela do Espírito Santo, muito elogiada pelos cronistas nas várias descrições coevas. Era uma peça renascentista, coberta de “abobeda de madeyra feyta em artesões” – certamente de caixotões – e por onde se acedia por “dous arcos romanos de pedraria muy bem lavrados”. Era ainda onde estava colocado o famoso quadro do “Pentecostes” pintado por Grão Vasco, representando a Virgem e os apóstolos num ambiente arquitetónico de afirmado classicismo. Cremos que esta capela terá sido uma das “muytas e boas hobras” que João de Ruão elaborou para os Cónegos Regrantes nos primeiros meses em que residiu em Coimbra, tal como são mencionadas num contrato de 4 de abril de 1530. A partir das referidas descrições de época, apresentaremos uma proposta de reconstituição arquitetónica da Capela do Espírito Santo, e de toda a área do Claustro da Portaria, na sequência da pesquisa que coordenámos, no quadro do Projeto SANTA CRUZ, sediado no Centro de Estudos Sociais e financiado pela FCT, entre 2018 e 2022.

