As mais recentes obras de conservação do retábulo da capela de São Pedro da Sé Velha de Coimbra permitiram observar, com outra correcção e detalhe, a disposição, escultura e a ornamentação que lhe dão corpo.
Partindo do exame empírico, da análise comparativa dos elementos que compõem a obra, bem como da sua estrutura, na relação com a capela que a abriga, conjectura-se que este retábulo, que tem andado atribuído a Nicolau Chanterene, possa ter sido concebido por outra equipa de artistas. Para o efeito é necessário libertar o ano de 1526 (ou entre 1525-26), que tem sido avançado como provável para o da realização do retábulo, mas que configura apenas o tempo possível, uma vez que Nicolau Chanterene sairia de Coimbra no ano seguinte.
A investigação que agora se apresenta resulta da releitura crítica da fortuna, ou historial do retábulo da capela de São Pedro da Sé Velha de Coimbra, da reanálise do retábulo à luz das suas formas e do cruzamento dos dados que permitem avançar novas hipóteses de atribuição e de datação, correndo, ainda assim, todos os riscos inerentes ao trabalho empírico. Por este motivo, entre tantos outros, não é objectivo desta análise fechar, ou resolver o problema, mas abrir o campo das hipóteses de atribuição do retábulo de São Pedro, reacendendo a possibilidade, já sugerida por António Augusto Gonçalves, de tratar-se de um trabalho de João de Ruão, desde a ideia até à concepção.

