{"id":1022,"date":"2023-03-10T18:37:22","date_gmt":"2023-03-10T18:37:22","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uab.pt\/ii-encontro-cantanhede\/?post_type=abstract&#038;p=1022"},"modified":"2024-04-29T12:52:53","modified_gmt":"2024-04-29T12:52:53","slug":"umas-memorias-corograficas-ineditas-a-breve-descripcao-da-villa-de-cantanhede-de-manuel-joaquim-de-oliveira-almeida-vidal","status":"publish","type":"abstract","link":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/resumo\/umas-memorias-corograficas-ineditas-a-breve-descripcao-da-villa-de-cantanhede-de-manuel-joaquim-de-oliveira-almeida-vidal\/","title":{"rendered":"Umas Mem\u00f3rias Corogr\u00e1ficas In\u00e9ditas: A Breve Descrip\u00e7\u00e3o da Villa de Cantanhede de Manuel Joaquim de Oliveira Almeida Vidal"},"content":{"rendered":"\n<p>1. N\u00e3o s\u00e3o abundantes as mem\u00f3rias corogr\u00e1ficas relativas a Cantanhede. Mais longinquamente, podemos evocar para a segunda metade do s\u00e9c.XVIII o texto de Teod\u00f3sio de Santa Marta, inserto no Elogio Historico da illustrissima, e excelent\u00edssima casa de Cantanhede-Marialva, publicado em 1751, a que, ali\u00e1s, Vidal se vai recorrer, e as Mem\u00f3rias paroquiais de 1758, nas quais o cura Manoel de Jesus Maldonado responde, em 29 de Maio, aos itens da \u201cParte I. O que procura saber da terra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esta escassez de informa\u00e7\u00e3o uma raz\u00e3o mais para trazer a lume a in\u00e9dita Breve Descrip\u00e7\u00e3o da Villa de Cantanhede que nos oferece nos in\u00edcios do s\u00e9culo XIX uma leitura bem mais segura de Cantanhede, do que a de Santa Marta.<\/p>\n\n\n\n<p>2. Natural do Porto, uma vez licenciado em Direito em 1799, Manuel de Almeida Vidal, o autor desta Breve Descrip\u00e7\u00e3o, encontrar\u00e1 um emprego, que nos afigura bem adequado \u00e0 sua personalidade, no Archivo da Camara do Porto, onde se dedica por dois anos a escrever um Compendio Historico-Chronologico e Legislativo das Rendas da mesma Cidade desde huma antiguidade remota.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira invas\u00e3o francesa leva-o a retirar-se para Cantanhede em Novembro de 1807, onde fixa resid\u00eancia \u201cn\u00e3o s\u00f3 por ser hum local retirado das principais estradas de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, como tamb\u00e9m por se lhe \u201coferecer comodidade de poder viver aqui em socego, e solid\u00e3o; e longe do turbilh\u00e3o vertiginoso de sentimentos, em que se agitav\u00e3o os esp\u00edritos dos habitantes de Portugal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A in\u00e9rcia do h\u00e1bito da investiga\u00e7\u00e3o conjugado com a solid\u00e3o e retiro que encontrou em Cantanhede, suscitam-lhe a ideia de examinar algumas memorias relativas \u00e0 vila e mediante a interven\u00e7\u00e3o do Juiz de Fora, ali\u00e1s o primeiro de Cantanhede, Manoel Joz\u00e9 Colla\u00e7o, acha e colige documentos do cart\u00f3rio fazendo apontamentos avulsos sobre o que encontrava de not\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A nomea\u00e7\u00e3o, em Janeiro de 1811, para \u201cProcurador dos Direitos e Regalias do S.or Donatario deste Reguengo\u201d, incentiva-o a prosseguir \u201ccom mais esm\u00earo na Collec\u00e7\u00e3o das referidas Memorias, por que alem da curiosidade, j\u00e1 o meu zelo, e dever me instigavam a instruir-<\/p>\n\n\n\n<p>me em tudo o que fosse relativo ao meu Of\u00edcio de Procurador, para me habilitar a defender os Direitos e Regalias, que devia sustentar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante a desordem, e confus\u00e3o dos cart\u00f3rios, foi fazendo apontamentos \u00e1 propor\u00e7\u00e3o, que as encontrava, coligindo \u201cum copioso n\u00famero de noticias, a que era todavia preciso dar alguma Ordem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui resultou, como o pr\u00f3prio afirma, n\u00e3o \u201cuma Obra regular\u201d, mas \u201cum Dep\u00f3sito, ou Colec\u00e7\u00e3o de Memorias, e com um tal ou qual arranjamento, que de algum modo facilita o conhecimento de v\u00e1rias noticias relativas a geografia, hist\u00f3ria, e Economia Politica deste Districto, e muitas delas at\u00e9 aqui desconhecidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Cedo lhe surgiria a inten\u00e7\u00e3o, que viria a concretizar, de escrever v\u00e1rios projectos, \u201ccuja execu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 proveitosa \u00e1 prosperidade, e adiantamento desta Villa, e Districto\u201d, destinados a formar como a 2.\u00aa Parte das Memorias.<\/p>\n\n\n\n<p>De finais de Novembro de 1815 a Agosto de 1821 ser\u00e1 o segundo Juiz de Fora de Cantanhede.<\/p>\n\n\n\n<p>O exerc\u00edcio desta fun\u00e7\u00e3o ser\u00e1 objecto de auto de resid\u00eancia iniciado no final do m\u00eas em que termina as fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Interrogadas sobre como \u201cserviu no dito Lugar, se \u00e9 de bom talento, vida, e costumes, [\u2026]\u201d, as setenta e duas testemunhas ouvidas s\u00e3o un\u00e2nimes nos seus m\u00e9ritos.<\/p>\n\n\n\n<p>Refira-se o depoimnto de Joze Crespeniano da Silveira, propriet\u00e1rio de Cantanhede, que al\u00e9m de partilhar o dito consenso:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201co Ministro Sindicado possu\u00eda todas as qualidades que recomendam o Magistrado digno; por ter muita Literatura, muito zelo de Justi\u00e7a, e fabilidade, e acolhimento com as partes; sendo ao mesmo tempo de uma inflequexibilidade. Louv\u00e1vel na administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a: assim como de uma exa\u00e7\u00e3o exemplar na arercada\u00e7\u00e3o da fazenda Nacional devendo-se as suas virtudes, conhecimentos, e imparcialidade o sossego e repouso que todos gozar\u00e3o no tempo da sua Judicatura, n\u00e3o havendo uma s\u00f3 pessoa que deixe de confessar estas brilhantes qualidades,<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescenta:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201ca excep\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Henriques de Castro desta Vila e Jose da Costa Alves Ribeiro da Cidade de Coimbra; os quais poder\u00e3o queixar-se do mesmo Ministro Sindicado, por lhes ter feito Barreira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E tinha raz\u00e3o, porque em 12 de Setembro, lia-se no in\u00edcio de um dos longos impetuosos libelos apresentado por aquele, contra o juiz, que ali\u00e1s n\u00e3o desdizia das qualidades deste:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cManoel Joaquim Juiz de F\u00f3ra que foi, seria um homem muito capaz de ser Ministro sen\u00e3o tivesse entranhas infernais; por que n\u00e3o \u00e9 tolo, n\u00e3o \u00e9 ignorante, nem \u00e9 mandri\u00e3o, o fazer porem do Preto branco, ou do Branco Preto, \u00e9 para ele insignificantissimo, e \u00e9 o mais dominado pelas suas paix\u00f5es que tem o Suplicante conhecido apesar deste grande mal, que tem conhecido em muitos nos dilatados anos da sua vida. [\u2026].\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O seu servi\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o se encerra em Cantanhede. Em 9 de Agosto de 1823 \u00e9 nomeado Juiz de fora de Braga e em 1828 encontramo-lo como desembargador corregedor no Porto.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Foi nas circunst\u00e2ncias acabadas de referir que surgiram as MEMORIAS \/ Relativas \u00e1 Villa de Cantanhede, e seo Termo: organizadas na forma \/ dos Artigos que baixar\u00e3o com a Ley de 7 de Janeiro de 1792, e sobre os \/ quaes se mandou, que as Justi\u00e7as informassem o que entendessem ser \/ conveniente \u00e1 execu\u00e7\u00e3o da Ley de 19 de Julho de 1790. \/ Escriptas nesta Villa de Cantanhede \/ por \/ M.el Joaq.m d\u2019Olivr.\u00aa Almd\u00aa Vidal, \/ come\u00e7adas a escrever no Anno de 1807 \/ e continuadas nos an.s de 1808 1809 1810 1811 e 1812 \/ extrahidas em grande p.te \/ de Docum.tos Originaes.<\/p>\n\n\n\n<p>Destas Mem\u00f3rias de que daremos a devida not\u00edcia, consta uma Breve Descrip\u00e7\u00e3o da Villa de Cantanhede, texto que, pelo menos na sua vers\u00e3o final, \u00e9 posterior a Junho de 1815, porquanto o autor refere o arranjo da capela de S.Jo\u00e3o Baptista ocorrido nesta data.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta Breve Descrip\u00e7\u00e3o, que propomos constituir o objecto da nossa comunica\u00e7\u00e3o, abordaremos o conte\u00fado, tal como o estrutur\u00e1mos para a edi\u00e7\u00e3o que dela tencionamos fazer, em quatro partes:<\/p>\n\n\n\n<p>I. A Vila de Cantanhede. Localiza\u00e7\u00e3o, povoamento, foral, cabe\u00e7a de condado<\/p>\n\n\n\n<p>II. Espa\u00e7o Urbano<\/p>\n\n\n\n<p>III. Edif\u00edcios Religiosos<\/p>\n\n\n\n<p>IV. Edif\u00edcios Civis<\/p>\n\n\n\n<p>Descri\u00e7\u00e3o de quem, pela perman\u00eancia e exerc\u00edcio de cargos, conheceu a realidade coeva de Cantanhede, por isso mais realista e menos lisonjeira, do que a que, sessenta anos antes, Santa Martha tra\u00e7ava aguarelando Cantanhede como um reflexo da Illustrissima, e Excellentissima Casa de Cantanhede Marialva, casa de que era capel\u00e3o, e da qual escrevia o encomi\u00e1stico Elogio, deixando mesmo a d\u00favida de que conhecesse a vila.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Sobre o autor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Oudinot Larcher \u00e9 licenciado em Direito e em Hist\u00f3ria pela Universidade de Lisboa. Doutor pela Universidade Cat\u00f3lica de Lovaina, na \u00e1rea da Hist\u00f3ria do Direito. Membro de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, nomeadamente Presidente da \u201cComiss\u00e3o Infante D.Henrique, Ordem de Cristo e Expans\u00e3o\u201d da Sociedade de Geografia de Lisboa, Presidente do Centro Europeu de Estudos de Hist\u00f3ria Constitucional, Diretor do Instituto Hist\u00f3rico da Beira Coa. Investigador do CHAM-Centro de Humanidades \u2013 Universidade Nova de Lisboa. Desempenhou fun\u00e7\u00f5es docentes na Universidade de Lisboa, na Universidade Cat\u00f3lica e na Universidade Lus\u00f3fona. Professor de Direito e de Hist\u00f3ria no Instituto Polit\u00e9cnico de Tomar. Tem organizado v\u00e1rios col\u00f3quios no dom\u00ednio do Direito, Hist\u00f3ria Institucional e Patrim\u00f3nio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o s\u00e3o abundantes as mem\u00f3rias corogr\u00e1ficas relativas a Cantanhede. \u00c9 esta escassez de informa\u00e7\u00e3o uma raz\u00e3o mais para trazer a lume a in\u00e9dita Breve Descrip\u00e7\u00e3o da Villa de Cantanhede que nos oferece nos in\u00edcios do s\u00e9culo XIX uma leitura bem mais segura de Cantanhede, do que a de Santa Marta.","protected":false},"featured_media":905,"parent":0,"template":"","meta":{"custompostfields_author":"Prof. Doutor Fernando Larcher","footnotes":""},"edition":[25],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/abstract"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1022\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1285,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1022\/revisions\/1285"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"edition","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/edition?post=1022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}