{"id":1049,"date":"2023-03-15T05:34:32","date_gmt":"2023-03-15T05:34:32","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uab.pt\/ii-encontro-cantanhede\/?post_type=abstract&#038;p=1049"},"modified":"2024-04-29T12:52:53","modified_gmt":"2024-04-29T12:52:53","slug":"duas-figuras-ilustres-e-esquecidas-em-cantanhede-antonio-e-matias-de-carvalho-e-vasconcelos","status":"publish","type":"abstract","link":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/resumo\/duas-figuras-ilustres-e-esquecidas-em-cantanhede-antonio-e-matias-de-carvalho-e-vasconcelos\/","title":{"rendered":"Duas figuras ilustres e esquecidas em Cantanhede: Ant\u00f3nio e Matias de Carvalho e Vasconcelos"},"content":{"rendered":"\n<p>Ant\u00f3nio e Matias de Carvalho e Vasconcelos nascem, respectivamente, em Cantanhede, em 1827, e Ourent\u00e3, em 1832, sendo ambos baptizados na igreja matriz da sede do concelho.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era gente nova na dita vila e seu termo. J\u00e1 em 1743, um Matias Coutinho institu\u00edra, na referida igreja, a capela de Santa Rita, na qual sucederam como administradores seu genro, o Desembargador da Suplica\u00e7\u00e3o Matias de Carvalho, que, natural do Porto, se ligara por casamento a Cantanhede, e, mais tarde, seu neto, o Desembargador da Suplica\u00e7\u00e3o, Matias Jos\u00e9 de Carvalho Coutinho.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 aqui o lugar de tratar da genealogia desta fam\u00edlia, mas refira-se que dois dos seus membros tinham obtido no s\u00e9culo XVIII o h\u00e1bito da Ordem de Cristo, e que, no s\u00e9culo XIX, encontramos os seus descendentes em cargos de governan\u00e7a na vila.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, pois, no seio de uma fam\u00edlia nobilitada de abastados propriet\u00e1rios, que h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es desempenhava cargos na magistratura e na administra\u00e7\u00e3o, que v\u00eaem o dia os dois irm\u00e3os de que nos vamos ocupar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1843, partem para Coimbra para seguir os seus estudos, Ant\u00f3nio, com 16 anos, e Matias, com 11. Segue com eles um jovem sacerdote, Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo de Amorim Pessoa, contratado pelo seu pai, Matias Mendes Coutinho Carvalho de Vasconcelos, para os acompanhar na nova vida que iam encetar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mal sabia o grupo que ent\u00e3o deixava Cantanhede rumo \u00e0quela que era ent\u00e3o, no pa\u00eds, a \u00fanica sede universit\u00e1ria, que ali viriam todos a ensinar<s>.<\/s><\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio, o mais velho, que em 1848 j\u00e1 se achava no quinto ano de Direito, formou-se nesta faculdade, mas veio a doutorar-se, dez anos mais tarde, na de Filosofia, assim designada mas voltada j\u00e1, quase em exclusivo, para os dom\u00ednios cient\u00edficos. Dedicou a sua vida \u00e0s ci\u00eancias naturais, primeiro \u00e0 mineralogia e geologia, depois \u00e0 bot\u00e2nica, tendo assumido tamb\u00e9m fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como as de deputado, governador civil interino de Coimbra e director geral da instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Matias de Carvalho e Vasconcelos, o mais novo, doutorar-se-\u00e1 na mesma faculdade em 1854, nela vindo a ensinar e a distinguir-se em v\u00e1rios campos cient\u00edficos, com destaque para o da metalurgia, realizando importantes miss\u00f5es cient\u00edficas no estrangeiro em representa\u00e7\u00e3o da universidade, contactando institutos e cientistas de renome em Fran\u00e7a, na B\u00e9lgica, no Reino Unido e Alemanha, ligando a sua faculdade \u00e0s suas cong\u00e9neres europeias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em parte pela sua especializa\u00e7\u00e3o naquela \u00e1rea, veio a desempenhar, em Lisboa, a primeira fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o acad\u00e9mica, de director da Casa da Moeda, para, em seguida, aceitar, na mesma capital, o primeiro cargo pol\u00edtico, de Ministro da Fazenda, no segundo minist\u00e9rio do Duque de Loul\u00e9, no 25\u00ba governo da Monarquia Constitucional. Viria mais tarde, a partir de finais da d\u00e9cada de 60, a orientar a sua vida para a carreira diplom\u00e1tica, pontualmente interrompida com novas fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Passou, assim, o seu percurso biogr\u00e1fico por variados cen\u00e1rios, primeiro o Rio de Janeiro, onde vem a casar e a receber a estima do imperador D.Pedro II, depois Roma, onde permanecer\u00e1 cerca de duas d\u00e9cadas a partir de 1876, exceptuando-se o ano de 1887, em que estar\u00e1 em Berlim, dois anos ap\u00f3s a c\u00e9lebre Confer\u00eancia que tratara da partilha de \u00c1frica e onde Portugal apresentara o Mapa Cor de Rosa, elaborado pela Sociedade de Geografia, da qual Matias de Carvalho e Vasconcelos tamb\u00e9m foi s\u00f3cio, tal como o foi do Instituto de Coimbra e da Academia Real das Ci\u00eancias. Nas fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, feito Par do Reino em 1880, novamente foi Ministro, mas desta vez dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, em 1897, no Minist\u00e9rio de Jos\u00e9 Luciano de Castro, regressando em seguida \u00e0 sua vida de diplomata e ao seu posto de Roma, at\u00e9 \u00e0 data da sua morte, em Floren\u00e7a no dia 2 de Dezembro de 1910.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cantanhede, de onde sa\u00edra quase na inf\u00e2ncia, n\u00e3o ter\u00e1 Matias de Carvalho e Vasconcelos regressado sen\u00e3o em ocasionais e espor\u00e1dicas passagens, ao passo que manteve o seu irm\u00e3o a liga\u00e7\u00e3o, sendo, ali\u00e1s, em Ourent\u00e3, um grande propriet\u00e1rio vin\u00edcola. Ali se achavam as suas origens e as mais antigas mem\u00f3rias: a inf\u00e2ncia, as casas e propriedades da fam\u00edlia, os vastos campos agr\u00edcolas, as recorda\u00e7\u00f5es de uma fam\u00edlia de longa data ilustre na regi\u00e3o, rememorada na rua hoje designada <em>do Conselheiro Carvalho<\/em> e na j\u00e1 mencionada capela de Santa Rita, institu\u00edda pelo seu antepassado na igreja paroquial de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>Evoquem-se, pois, estas duas figuras para que ocupem o lugar que merecem no brio da sua terra natal, integrando, por sua vez, agora eles, a mem\u00f3ria colectiva do concelho em que nasceram, como protagonistas dos extraordin\u00e1rios progressos&nbsp; que a ci\u00eancia fez no seu tempo e como figuras empenhadas numa interven\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica, num tempo de profundas mudan\u00e7as no pa\u00eds e nas rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Sobre a autora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Maria Madalena G.B. Pessoa Jorge Oudinot Larcher \u00e9 licenciada em Hist\u00f3ria pela Universidade de Bras\u00edlia. Doutora em Hist\u00f3ria pela Universidade Cat\u00f3lica de Lovaina. Membro da Dire\u00e7\u00e3o do Instituto Hist\u00f3rico da Beira C\u00f4a. Investigadora integrada do CHAM-Centro de Humanidades \u2013 Universidade Nova de Lisboa. Professora de Hist\u00f3ria no Instituto Polit\u00e9cnico de Tomar.&nbsp;Tem-se dedicado \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio da Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica, nomeadamente da Ordem de Cristo e Padroado, e organizado v\u00e1rios col\u00f3quios nacionais e internacionais nas \u00e1reas da Hist\u00f3ria Institucional e do Patrim\u00f3nio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ant\u00f3nio e Matias de Carvalho e Vasconcelos nascem, respectivamente, em Cantanhede, em 1827, e Ourent\u00e3, em 1832, sendo ambos baptizados na igreja matriz da sede do concelho.","protected":false},"featured_media":906,"parent":0,"template":"","meta":{"custompostfields_author":"Prof. Doutora Maria Madalena Pess\u00f4a Jorge Oudinot Larcher","footnotes":""},"edition":[25],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/abstract"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1049\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1277,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1049\/revisions\/1277"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/906"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"edition","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/edition?post=1049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}