{"id":1062,"date":"2023-03-15T05:55:36","date_gmt":"2023-03-15T05:55:36","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uab.pt\/ii-encontro-cantanhede\/?post_type=abstract&#038;p=1062"},"modified":"2024-04-29T12:52:53","modified_gmt":"2024-04-29T12:52:53","slug":"valorizar-e-re-descobrir-o-hospital-colonia-rovisco-pais","status":"publish","type":"abstract","link":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/resumo\/valorizar-e-re-descobrir-o-hospital-colonia-rovisco-pais\/","title":{"rendered":"Valorizar e (Re) descobrir o Hospital Col\u00f3nia Rovisco Pais"},"content":{"rendered":"\n<p>O Hospital Colonia Rovisco Pais (HCRP) foi inaugurado em 1947, na Tocha, concelho de Cantanhede, e adotou o nome do benem\u00e9rito que, ao deixar a sua heran\u00e7a aos Hospitais Civis de Lisboa, possibilitou a sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Situado numa \u00e1rea com 140 hectares, o Hospital Col\u00f3nia Rovisco Pais foi uma aut\u00eantica aldeia terap\u00eautica, com capacidade para internamento de cerca de 1.000 doentes. Materializou uma resposta qualificada do Estado na assist\u00eancia a estes doentes, que n\u00e3o tinham vagas suficientes nas enfermarias que lhes estavam destinadas em Lisboa e no Porto e que n\u00e3o eram admitidos em outros hospitais. Constituiu a \u00fanica unidade nacional de assist\u00eancia m\u00e9dico-social e de investiga\u00e7\u00e3o, constru\u00edda de raiz, inteiramente dedicada a hansen\u00edase (lepra), em Portugal durante quase 40 anos. Promovia a profilaxia, oferecia vigil\u00e2ncia e tratamento m\u00e9dico e cir\u00fargico, apoio social ao paciente e seus familiares, assim como a reabilita\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da fisioterapia, da cirurgia pl\u00e1stica, da ergoterapia e ludoterapia. Funcionava como dispens\u00e1rio central, e possu\u00eda um hospital, asilos para idosos ou inv\u00e1lidos, pavilh\u00f5es para doentes em estado interm\u00e9dio, pequenos bairros para doentes da mesma fam\u00edlia, capela, creche e prevent\u00f3rio para crian\u00e7as s\u00e3s e bairro residencial para funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo o epicentro da Luta contra a Lepra em Portugal, o Hospital Col\u00f3nia Rovisco Pais dispunha de um conjunto de servi\u00e7os especializados criados para tratamento e estudo da Doen\u00e7a de Hansen em que se inclu\u00edam, al\u00e9m dos servi\u00e7os internos, servi\u00e7os externos como as brigadas m\u00f3veis, que percorriam o pa\u00eds, para fazer o diagn\u00f3stico de novos casos, ou a enfermagem domicili\u00e1ria que fazia o acompanhamento dos doentes externos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1947 e 1976, o internamento obrigat\u00f3rio, que era apenas imposto aos casos contagiantes, contou com a sulfonoterapia, adotada logo na primeira d\u00e9cada de atividade do antigo Hospital. Mas, em Portugal, a forma cl\u00ednica prevalente era a lepra Lepromatosa, a variante mais contagiosa e cr\u00f3nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o Hospital Col\u00f3nia Rovisco Pais iniciou o seu funcionamento, em 1947, eram conhecidos 867 doentes, mas sua a\u00e7\u00e3o permitiu conhecer e acompanhar 2.760 doentes, conter o n\u00famero de casos at\u00e9 \u00e0 ado\u00e7\u00e3o da poliquimioterapia e integra\u00e7\u00e3o no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>A conce\u00e7\u00e3o deste Hospital deve ser entendida num contexto de \u201cmedicaliza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, decorrente das novas no\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, higiene e epidemiologia surgidas a partir do s\u00e9culo XIX, e da classifica\u00e7\u00e3o da lepra como doen\u00e7a infetocontagiosa, ap\u00f3s a descoberta do bacilo pelo medico noruegu\u00eas Gerhard Hansen, em 1873. Enquadra-se tamb\u00e9m nas orienta\u00e7\u00f5es internacionais que sugeriam o isolamento dos doentes como forma de conten\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio, enquanto n\u00e3o era conhecida e se generalizou a solu\u00e7\u00e3o terap\u00eautica para a cura da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A presente comunica\u00e7\u00e3o resulta da investiga\u00e7\u00e3o iniciada no projeto de conce\u00e7\u00e3o do N\u00facleo Museol\u00f3gico do Hospital Colonia Rovisco Pais, espa\u00e7o que se enquadra na estrat\u00e9gia hol\u00edstica de gest\u00e3o do patrim\u00f3nio do antigo hospital assumida pelo Centro de Medicina de Reabilita\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Centro&nbsp;\u2014&nbsp;Rovisco Pais (CMRRC-RP), e que, desde 2017, tem sido apoiada pela funda\u00e7\u00e3o japonesa Sasakawa Health Foundation.<\/p>\n\n\n\n<p>No decurso daquele projeto fomos impelidos a reequacionar o papel e a atividade desenvolvida pelo antigo Hospital como resultado da reflex\u00e3o suscitada pela an\u00e1lise fontes in\u00e9ditas. O objetivo da comunica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 precisamente partilhar os principais marcos deste percurso, bem como as conclus\u00f5es identificadas durante a redescoberta do HCRP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Sobre a autora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cristina Nogueira \u00e9 licenciada em Hist\u00f3ria, com especializa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Informa\u00e7\u00e3o (FLUC) e Gest\u00e3o do Patrim\u00f3nio Cultural (CBSP) e ao longo dos \u00faltimos vinte anos tem desenvolvido a sua atividade profissional em \u00e1reas como a forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, arquiv\u00edstica e museologia em diversas institui\u00e7\u00f5es. Foi autora de diversos livros e de textos em cat\u00e1logos de exposi\u00e7\u00f5es no dom\u00ednio da hist\u00f3ria da sa\u00fade. Fundadora da CulturAge, nos \u00faltimos anos tem trabalhado tamb\u00e9m na \u00e1rea da consultoria e gest\u00e3o do patrim\u00f3nio cultural. Desde 2017 que colabora com o Centro de Medicina de Reabilita\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Centro \u2013 Rovisco Pais na salvaguarda e revitaliza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio cultural do antigo Hospital Col\u00f3nia Rovisco Pais sendo curadora do respetivo N\u00facleo Museol\u00f3gico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Hospital Colonia Rovisco Pais (HCRP) foi inaugurado em 1947, na Tocha, concelho de Cantanhede, e adotou o nome do benem\u00e9rito que, ao deixar a sua heran\u00e7a aos Hospitais Civis de Lisboa, possibilitou a sua constru\u00e7\u00e3o.","protected":false},"featured_media":1004,"parent":0,"template":"","meta":{"custompostfields_author":"Dra. 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