{"id":1065,"date":"2023-03-15T05:57:20","date_gmt":"2023-03-15T05:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uab.pt\/ii-encontro-cantanhede\/?post_type=abstract&#038;p=1065"},"modified":"2024-11-21T15:54:09","modified_gmt":"2024-11-21T15:54:09","slug":"tempo-e-paisagem-a-pedra-e-o-homem-uma-viagem-pelo-mesozoico-de-anca","status":"publish","type":"abstract","link":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/resumo\/tempo-e-paisagem-a-pedra-e-o-homem-uma-viagem-pelo-mesozoico-de-anca\/","title":{"rendered":"Tempo e paisagem: a pedra e o homem, Uma viagem pelo Mesozoico de An\u00e7\u00e3"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde sempre que o concelho de Cantanhede foi objeto de in\u00fameros estudos geol\u00f3gicos, sobretudo no sector sudeste, onde se insere a vila de An\u00e7\u00e3. Esta regi\u00e3o, constitu\u00edda por terrenos calc\u00e1rios, do Jur\u00e1ssico M\u00e9dio, alberga uma das unidades geol\u00f3gicas mais conhecidas em territ\u00f3rio nacional: a unidade dos calc\u00e1rios de An\u00e7\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>O calc\u00e1rio \u00e9 uma rocha sedimentar (bio)quimiog\u00e9nica que resulta da precipita\u00e7\u00e3o do carbonato de c\u00e1lcio em solu\u00e7\u00e3o; embora se possam formar em contexto fluvial\/fluvio-deltaico e lacustre, a maioria dos calc\u00e1rios \u00e9 de origem marinha. Consoante a pureza do calc\u00e1rio \u2013 percentagem de calcite \u2013, o teor em mat\u00e9ria org\u00e2nica \u2013 escureza do calc\u00e1rio \u2013, e o esp\u00f3lio fossil\u00edfero \u2013 tipo de f\u00f3sseis identific\u00e1veis \u2013, os calc\u00e1rios marinhos poder\u00e3o provir de ambientes de plataforma continental ou at\u00e9 talude.<\/p>\n\n\n\n<p>O calc\u00e1rio de An\u00e7\u00e3 \u00e9 uma rocha de cor clara, branco-amarelada a branco-acinzentada (consoante o teor de s\u00edlica), de gr\u00e3o muito fino, compacto e homog\u00e9neo. N\u00e3o apresentando veios, a pedra de An\u00e7\u00e3 diz-se pulverulenta, ou seja, \u201cfacilmente reduz\u00edvel a p\u00f3\u201d, o que explica a sua ampla utiliza\u00e7\u00e3o em arquitetura e escultura. Conquanto os calc\u00e1rios de An\u00e7\u00e3 sejam fossil\u00edferos, apresentam quase exclusivamente conchas de antigos moluscos cefal\u00f3podes: amonites e belemnites.<\/p>\n\n\n\n<p>Localizando-se as pedreiras de onde era extra\u00edda ao longo da v\u00e1rzea de An\u00e7\u00e3 \u2013 nas imedia\u00e7\u00f5es de uma ribeira afluente do rio Mondego-, esta pedra foi utilizada para a decora\u00e7\u00e3o de importantes monumentos do Baixo Mondego \u2013 Pal\u00e1cio de S\u00e3o Marcos (Tent\u00fagal), S\u00e9 Velha e Mosteiro de Santa Cruz (Coimbra); relativamente \u00e0 estatu\u00e1ria, mormente religiosa, h\u00e1 esculturas em Pedra de An\u00e7\u00e3 em diversas igrejas, um pouco por todo o pa\u00eds. Os seus atributos mineral\u00f3gicos, bem como a sua alvura, tamb\u00e9m a tornaram procurada para o fabrico de cal (raz\u00e3o que explicou a prolifera\u00e7\u00e3o de fornos de cal nos pinhais em torno das \u00e1reas de extra\u00e7\u00e3o da pedra).<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua generalidade, e em compara\u00e7\u00e3o com outras pedras ornamentais, as t\u00e9cnicas de extra\u00e7\u00e3o da pedra de An\u00e7\u00e3 sempre tomaram um cariz bastante rudimentar, pelo que muitas destas pedreiras eram de reduzida dimens\u00e3o. Quase todas, infelizmente, ficaram abandonadas, sendo que a vegeta\u00e7\u00e3o come\u00e7a, lentamente, a reclamar esses anfiteatros artificiais. A valoriza\u00e7\u00e3o destes espa\u00e7os, por isso, e a sua inser\u00e7\u00e3o em pontos de interesse explicativos de roteiros tur\u00edsticos \u2013 pr\u00e1tica essa j\u00e1 levada a cabo pela C\u00e2mara Municipal de Cantanhede \u2013 tem-se revelado uma estrat\u00e9gia interessante de sensibiliza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para a import\u00e2ncia da Pedra de An\u00e7\u00e3 na constru\u00e7\u00e3o de uma identidade local e concelhia. Nesse sentido, por se ocupar de um estudo do substrato, i.e., das litologias que servem de palco a um determinado territ\u00f3rio, o conhecimento geol\u00f3gico assume-se, assim, eminentemente pr\u00e1tico, permitindo um outro tipo de leitura e compreens\u00e3o do passado cultural de uma regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Sobre o autor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Almeida Paiva \u00e9 licenciado em Geologia e Mestre em Geoci\u00eancias, pelo Departamento de Ci\u00eancias Terra [DCT] da Universidade de Coimbra, tendo sido aprovado respetivamente com as m\u00e9dias de 17 e 18 valores. Presentemente, frequenta o 3\u00ba ano da licenciatura em Portugu\u00eas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o seu percurso acad\u00e9mico recebeu v\u00e1rios diplomas de m\u00e9rito e pr\u00e9mios por classifica\u00e7\u00e3o de m\u00e9dia.&nbsp; Participou em v\u00e1rios Congressos e Workshops e tem publicado artigos cient\u00edficos em revistas nacionais e internacionais<\/p>\n\n\n\n<p>Desde Mar\u00e7o de 2022 trabalha como Ge\u00f3logo na Divis\u00e3o da Cultura da C\u00e2mara de Cantanhede e Museu da Pedra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde sempre que o concelho de Cantanhede foi objeto de in\u00fameros estudos geol\u00f3gicos, sobretudo no sector sudeste, onde se insere a vila de An\u00e7\u00e3. 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