{"id":1068,"date":"2023-03-15T05:59:51","date_gmt":"2023-03-15T05:59:51","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uab.pt\/ii-encontro-cantanhede\/?post_type=abstract&#038;p=1068"},"modified":"2024-04-29T12:52:53","modified_gmt":"2024-04-29T12:52:53","slug":"retalhos-da-historia-de-anca","status":"publish","type":"abstract","link":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/resumo\/retalhos-da-historia-de-anca\/","title":{"rendered":"Retalhos da hist\u00f3ria de An\u00e7\u00e3"},"content":{"rendered":"\n<p>Pediram-nos para nos debru\u00e7armos sobre a hist\u00f3ria de An\u00e7\u00e3, ali\u00e1s, na sequ\u00eancia do nosso livro A vila de An\u00e7\u00e3 e o seu foral manuelino, publicado em 2009, vai quase d\u00e9cada e meia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse olhar, cremos que o primeiro aspecto a considerar \u00e9 destrin\u00e7ar o que \u00e9 hist\u00f3ria e o que \u00e9 lenda ou, mais que isso, liberdade po\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Passando muito leve esta segunda vertente, pois que, de concreto e verdade certa, nada nos traz, incidiremos sobretudo nos aspectos hist\u00f3ricos, aqueles que se podem provar \u00e0 luz dos documentos que nos testemunham o passado desta terra milenar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o primeiro ponto, notaremos a indiciada exist\u00eancia de um poema do s\u00e9culo XVIII, de um filho da terra, Dami\u00e3o Jos\u00e9 Saraiva, magistrado (juiz de fora) e membro da Arc\u00e1dia Lusitana, a mais importante academia de literatos portugueses do s\u00e9culo XVIII (Bocage; Cruz e Silva, Correia Gar\u00e7\u00e3o\u2026). Na pena de Dami\u00e3o Jos\u00e9 Saraiva, An\u00e7\u00e3 teria as suas origens num grupo de monges beneditinos chegados ao local no s\u00e9culo VII, aos quais se deveria o pr\u00f3prio nome da terra, Abondanzza, t\u00e3o maravilhados teriam eles ficado com os recursos da terra \u2013 \u00e1guas abundantes e cristalinas, matas e ca\u00e7a. Dami\u00e3o Jos\u00e9 Saraiva inventava ainda a exist\u00eancia de um senhor romano em An\u00e7\u00e3, um tal Fl\u00e1vio Erm\u00edgio, afinal um nome mistura de romano e de visig\u00f3tico, dando conta dessa liberdade que \u00e9 pr\u00f3pria aos poetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco se sabendo deste poeta nascido e falecido em An\u00e7\u00e3, mas que fez vida pelo reino, nomeadamente em Set\u00fabal, sempre se poder\u00e1 aceitar que ele poder\u00e1 ter sido influenciado pela poss\u00edvel exist\u00eancia de vest\u00edgios romanos existentes em An\u00e7\u00e3, no seu tempo, e que perdidos ou enterrados, ter\u00e3o vindo \u00e0 luz a partir do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim passamos ao dom\u00ednio da Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, os mais antigos vest\u00edgios da presen\u00e7a do homem em An\u00e7\u00e3 prendem-se com elementos arqueol\u00f3gicos, encontrados sobretudo nas proximidades da Ribeira de An\u00e7\u00e3, e que abrangem tempos da Pr\u00e9-Hist\u00f3ria ao dom\u00ednio dos romanos. Ali\u00e1s, segundo os estudiosos, o pr\u00f3prio nome de An\u00e7\u00e3 remete para um qualquer propriet\u00e1rio local, de nome Antius, cuja villa Antiana, teria dado o nome por que, hoje, n\u00f3s conhecemos esta freguesia (villa: grande propriedade rural, auto-suficiente, nas m\u00e3os de um senhor e trabalhada por homens na sua depend\u00eancia, tanto escravos como servos).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o Imp\u00e9rio romano caiu. Outros povos chegaram e estabeleceram-se na Pen\u00ednsula, inclusive por estas partes da antiga Aeminium.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, deparar-nos-emos com as primeiras not\u00edcias documentais sobre An\u00e7\u00e3, que nos remetem para o tempo de lutas entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, com particular destaque para os tempos primevos, coincidentes com os tempos da primeira reconquista de Coimbra (878-987) e, posteriormente, com os tempos da primeira dinastia de reis de Portugal. \u00c9 precisamente com o seu \u00faltimo rei, D. Fernando, que An\u00e7\u00e3 foi elevada a vila e feita concelho, ao mesmo tempo que, retirada ao grande concelho de Coimbra se volveria em senhorio da poderosa fam\u00edlia dos de Meneses, t\u00e3o cedo ligada \u00e0 coroa de Portugal, e por quem passaria aos de Castro, eles tamb\u00e9m t\u00e3o intimamente ligados \u00e0 monarquia portuguesa, como \u00e9 sabido.<\/p>\n\n\n\n<p>Como mais importante que estas liga\u00e7\u00f5es \u00e9 o facto de o lugar ter sido feiro vila e concelho, deter-nos-emos na sua caracteriza\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o, com refer\u00eancia tamb\u00e9m aos seus documentos orientadores, como o regimento do mordomado e o foral manuelino.<\/p>\n\n\n\n<p>Percorreremos An\u00e7\u00e3 ao longo dos s\u00e9culos: nos seus lugares, na sua popula\u00e7\u00e3o, nas manifesta\u00e7\u00f5es da f\u00e9 das suas gentes, nas suas estruturas econ\u00f3micas e administrativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Terminaremos com o regresso da vila de An\u00e7\u00e3 ao poder do rei, ou da rainha \u2013 agora da rainha D. Carlota Joaquina \u2013 e a sua situa\u00e7\u00e3o no final do regime senhorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram novos tempos: do Liberalismo, que trazia tamb\u00e9m, em si, uma outra ideia sobre a administra\u00e7\u00e3o do reino. Nela, An\u00e7\u00e3 n\u00e3o tinha mais lugar como concelho: morreria, como tal, em 31 de Dezembro de 1853, quando foi anexado ao concelho de Cantanhede.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje. Mas An\u00e7\u00e3 nem perdeu o seu passado, nem a sua mem\u00f3ria, nem, sobretudo, a for\u00e7a e o valor das suas gentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Sobre a autora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Maria Alegria Fernandes Marques  \u00e9 Professora Catedr\u00e1tica jubilada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 autora de v\u00e1rias obras, de tem\u00e1tica variada, onde sobressaem as institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas medievais, mormente os estudos mon\u00e1sticos (\u00faltimo t\u00edtulo:&nbsp;Mem\u00f3ria de um mosteiro. Lorv\u00e3o, s\u00e9culos IX-XII. Hist\u00f3ria de uma comunidade masculina); a hist\u00f3ria local, com incid\u00eancia no per\u00edodo medieval (com a publica\u00e7\u00e3o de 30 forais), e ainda a biografia, de que destaca&nbsp;D. Matilde, a primeira rainha de Portugal;&nbsp;D. Dulce, a rainha fecunda;&nbsp;As primeiras infantas de Portugal, D. Matilde, D. Teresa, D. Sancha e D. Mafalda.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tem ainda publica\u00e7\u00f5es de tem\u00e1ticas de cronologia mais abrangente, de que destaca&nbsp;Gentes de paz em tempos de guerra. Mort\u00e1gua, 1721-1810.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exerceu v\u00e1rios cargos de gest\u00e3o, de que salienta, por todos, o de Diretora da\u00a0 Faculdade de Letras da U.C.; fez parte de v\u00e1rias comiss\u00f5es universit\u00e1rias e ministeriais, no \u00e2mbito do Ensino Superior.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Foi galardoada com a medalha de m\u00e9rito cultural da C\u00e2mara Municipal de Mira e premiada pela Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi palestrante em v\u00e1rios Congressos e Universidades estrangeiras (Espanha, Fran\u00e7a, Chile) e Professora convidada na Universidade de S\u00e3o Paulo, na Universidade Fluminense do Rio de Janeiro, na Universidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o e na Universidade de Goi\u00e2nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 acad\u00e9mica de n\u00famero da Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pediram-nos para nos debru\u00e7armos sobre a hist\u00f3ria de An\u00e7\u00e3, ali\u00e1s, na sequ\u00eancia do nosso livro A vila de An\u00e7\u00e3 e o seu foral manuelino, publicado em 2009, vai quase d\u00e9cada e meia.<br \/>\n<br \/>\nNesse olhar, cremos que o primeiro aspecto a considerar \u00e9 destrin\u00e7ar o que \u00e9 hist\u00f3ria e o que \u00e9 lenda ou, mais que isso, liberdade po\u00e9tica.","protected":false},"featured_media":1008,"parent":0,"template":"","meta":{"custompostfields_author":"Prof.Doutora Maria Alegria Fernandes","footnotes":""},"edition":[25],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/abstract"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1068\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1282,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/abstract\/1068\/revisions\/1282"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"edition","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uab.pt\/cantanhede-historia-arte-e-patrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/edition?post=1068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}