Centro

ENQUADRAMENTO E IDEÁRIO

O Centro de Estudos Globais (CEG-UAb) tem como objetivo geral contribuir para a adequada compreensão dos processos e dinâmicas da globalização, focando-se nas relações complexas entre contextos locais, nacionais e internacionais, com o propósito de investigar para uma globalização de rosto mais humano e de contribuir para um desenvolvimento mais sustentável, em termos culturais, sociais, económicos e ambientais. Como novo centro que se inscreve no espírito e nas dinâmicas do seu tempo, assume, entre os seus valores, um forte compromisso com o respeito pelos direitos humanos, a liberdade dos povos e o combate aos desequilíbrios, desigualdades e violências. Assim, o Centro visa contribuir para a resposta a dar aos grandes riscos e desafios que a humanidade atravessa hoje, entre os quais estão à vista a destruição dos ecossistemas e dos patrimónios culturais, as mudanças climáticas, os efeitos das pandemias, as desigualdades económicas crescentes, as evoluções tecnológicas e a transição digital, os totalitarismos e outras ameaças à democracia, os terrorismos, as intolerâncias religiosas e os conflitos armados. Embora se trate de questões muito distintas, todas elas comportam riscos importantes para a vida individual e coletiva, implicando um tipo de conhecimento e de ação propriamente “global”, no sentido em que supera as fronteiras locais e nacionais, sem deixar de atender às singularidades dos diferentes territórios.

O CEG-UAb propõe-se dinamizar uma área emergente de estudos em Portugal e nos países de língua portuguesa, tomando como referência a área de “Estudos Globais”, de acordo com as recomendações de instituições internacionais, como a UNESCO. Terá como campo de ação a produção de conhecimento, num contexto interdisciplinar, sobre os fenómenos que resultam da globalização, estimulando e consolidando a investigação sobre estruturas, processos e dinâmicas globais.

A criação do novo centro decorre do trabalho de investigação realizado nos últimos cinco anos no âmbito da Cátedra FCT Infante D. Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (CIDH), inserida no Polo do CLEPUL da Universidade Aberta, presentemente continuado na Cátedra CIPSH de Estudos Globais, e pretende enquadrar e potenciar a investigação em desenvolvimento no âmbito do Programa Doutoral de Estudos Globais, em cooperação com outros programas de formação avançada da Universidade Aberta, e tendo em conta as suas parcerias internacionais em funcionamento e as suas iniciativas científicas e pedagógicas, através da realização de projetos de investigação com a participação de investigadores em formação avançada, em cooperação estreita com especialistas nacionais e internacionais. É ainda objetivo do CEG-UAb contribuir ativamente para fundamentar as políticas públicas e a participação democrática dos cidadãos.

A emergência dos Estudos Globais decorre do reconhecimento de que a globalização afeta a vida quotidiana e de que o mundo necessita de formas inovadoras de reflexão e atuação, promovendo a capacidade de cooperação internacional, tendo em vista a resolução de problemas partindo de uma perspetiva internacional e global. Este grande objetivo assenta num programa multifacetado e não hegemónico aplicado a contextos globais nos quais as sociedades são perspetivadas como subsistemas do mundo global interdependente, tendo em vista a justiça social. A globalização refere-se a um processo que aproxima economias e sociedades, influenciando os processos políticos e culturais, e pressupõe um pensamento complexo que, segundo Edgar Morin, em vez de sobrepor, articula os saberes e reaproxima a teoria e a prática numa abordagem transdisciplinar.

Os professores e investigadores envolvidos na criação do CEG-UAb consideram que a inovação é a característica principal das suas atividades, em linha com a estratégia de desenvolvimento científico da Universidade Aberta. O modelo de ensino a distância da Universidade permite um compromisso com as novas dinâmicas da ciência aberta e condições favoráveis de pesquisa num contexto global, possibilitando a criação de uma rede de interessados nesta área emergente.

 

OBJETIVOS GERAIS

  • Aprofundar, alargar e sistematizar o conhecimento sobre o fenómeno da globalização, articulando dinâmicas políticas, económicas, sociais, culturais e educativas, em contextos locais, nacionais e internacionais.
  • Refletir criticamente sobre temas globais de acordo com perspetivas epistemológicas inovadoras, contribuindo para determinar o papel das sociedades e das pessoas no processo de globalização.
  • Identificar as necessidades de investigação em Estudos Globais e disseminar a investigação produzida junto dos pares e da comunidade em geral.
  • Implementar metodologias de pesquisa apropriadas e ações que contribuam para a resolução de problemas globais.
  • Desenvolver conceitos interdisciplinares, perspetivas e discursos acerca de processos identitários globais sobre história, religiões, cultura, política, direito, sociedade, educação, economia e ambiente.
  • Contribuir com investigação e reflexão para orientar políticas públicas em vários domínios (por exemplo, políticas educacionais, económicas, sociais, culturais, linguísticas e ambientais).
  • Inovar no sentido da melhoria das condições de vida das pessoas, através da criação de relações sustentáveis entre cultura, economia, sociedade e ambiente, numa perspetiva global.
  • Promover a articulação dos objetivos de investigação dos diversos programas doutorais da UAb, numa perspetiva colaborativa e interdisciplinar, assim como a construção de redes de investigação globais, visando o desenvolvimento de modelos teórico-metodológicos que sejam adequados aos diversos contextos e apoiando a investigação em contextos em que esta é particularmente difícil ou escassa.
  • Promover ações de formação avançada que preparem quadros para lidar com os temas, problemas e alternativas associados ao processo de globalização, criando conhecimento crítico e capacidade de intervenção na construção de uma sociedade global sustentável do ponto de vista sociocultural e ecológico.
  • Promover projetos que articulem o local e o global, com respeito pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento sustentável, em todo o mundo.

 

GRANDES QUESTÕES / PROBLEMAS

O CEG-UAb orientará o seu trabalho de investigação em função de problemas e desafios que estão em processo de identificação e aprofundamento a todo o tempo pelo seu corpo de investigadores, designadamente:

  • Como construir a história das comunidades, dos povos e dos países em ordem à assunção de um conhecimento crítico do passado segundo uma perspetiva integradora das interações humanas numa lógica aberta, que rompa com os círculos fechados de revisitação do passado e seja realizada numa ótica interespacial e transtemporal?
  • Como estudar, compreender e dar a compreender as heranças culturais, literárias e artísticas e as dinâmicas criativas no presente à luz de uma chave de leitura global?
  • Como analisar e antecipar modos de vida individuais e sociais para garantir um futuro mais sustentável e mais equilibrado do ponto de vista ecológico e social no planeta Terra, a começar pela cidade e pelo país em que nos inserimos?
  • Como poderão as organizações em geral, e as organizações empresariais em particular, promover, de forma sustentável, uma sociedade mais preocupada com o seu futuro, assente em efetivos valores universais, e na base de um verdadeiro propósito orientado para o bem comum?
  • Como trabalhar jurídica e politicamente a edificação de sociedades e instituições abertas ao mundo e respeitadoras do Estado de direito?
  • Como gizar ideários, estratégias e métodos educativos que contribuam para o desenvolvimento integral e a realização dos indivíduos, para o reconhecimento e o diálogo entre culturas, bem como para construção de uma cidadania global?
  • Como compreender e intervir em fenómenos/desafios propriamente globais, como as radicalizações religiosas, políticas e sociais, os efeitos das pandemias, das migrações ou da digitalização da economia?

 

ORGANIGRAMA

Direção

José Eduardo Franco 

 

Colégio de Coordenadores

João Relvão Caetano (Coordenador do G6: Política e Direito Global)

Jorge Trindade (Coordenador do G1: Antropoceno, Sustentabilidade e Desenvolvimento)

José Eduardo Franco (Coordenador do G4: História e Memória Global: Temas e Abordagens)

José Porfírio (Coordenador do G3: Gestão, Empreendedorismo e Governance para o Desenvolvimento)

Pedro Abrantes (Coordenador do G2: Educação Global: Conetividade, Complexidade e Diversidade)

Rosa Sequeira (Coordenadora do G5: Literatura, Artes e Transculturas)

Steffen Dix (Coordenador do G7: Religião, Globalização e Dinâmicas Glocais)

 

Comissão de Avaliação e Acompanhamento

Fabrice d’Almeida (Universidade Paris II, França)

Inma Rodriguez Ardura (Universidade Aberta da Catalunha, Espanha)

José Casanova (Universidade de Georgetown, EUA)

Tom Conley (Universidade de Harvard, EUA)

Viriato Soromenho-Marques (Universidade de Lisboa, Portugal)

 

Assessoria da Direção

Cristiana Lucas Silva

 

Secretariado

Milene Alves

 

ESTATUTOS