A atenção historiográfica em João de Ruão tem sido, sobretudo desde o olhar de Prudêncio Quintino Garcia e da importante publicação documental de 1913, centrada no seu papel de escultor e formador de gerações de canteiros e lavrantes que prolongaram o sentido ornamental da arquitetura de Coimbra até aos inícios do século XVII. Só muito recentemente, os historiadores encetaram uma abordagem focada numa suposta aprendizagem ainda em território francês ou num hipotético percurso para o sul da Europa, encontrando um filão que permite melhor compreender as suas origens, tanto quanto as razões que o terão conduzido a Portugal.
O lastro da indagação adensou-se sobretudo nos curtos anos do século XXI. O seu desempenho como mediador nos grandes estaleiros de obra continua por apurar e o volume de peças produzidas na sua oficina oferece um rasto de intrincada decifração, mas a sua dimensão de artista multifacetado, capaz de enfrentar os desafios lançados pela forma, pelo espaço e pela luz, em escultura e arquitetura, têm agora condições acrescidas de inteligibilidade. E a João de Ruão pode apenas caber verdadeiro estatuto de génio criador do Humanismo renascentista.

