A atenção historiográfica em João de Ruão tem sido, sobretudo desde o olhar de Prudêncio Quintino Garcia e da importante publicação documental de 1913, centrada no seu papel de escultor e formador de gerações de canteiros e lavrantes que prolongaram o sentido ornamental da arquitetura de Coimbra até aos inícios do século XVII. Só muito recentemente, os historiadores encetaram uma abordagem focada numa suposta aprendizagem ainda em território francês ou num hipotético percurso para o sul da Europa, encontrando um filão que permite melhor compreender as suas origens, tanto quanto as razões que o terão conduzido a Portugal.

O lastro da indagação adensou-se sobretudo nos curtos anos do século XXI. O seu desempenho como mediador nos grandes estaleiros de obra continua por apurar e o volume de peças produzidas na sua oficina oferece um rasto de intrincada decifração, mas a sua dimensão de artista multifacetado, capaz de enfrentar os desafios lançados pela forma, pelo espaço e pela luz, em escultura e arquitetura, têm agora condições acrescidas de inteligibilidade. E a João de Ruão pode apenas caber verdadeiro estatuto de génio criador do Humanismo renascentista.

Sobre a autora

Prof. Catedrática no Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Académica Correspondente da Academia Nacional de Belas Artes.

Entre 1 de abril de 2021 e 4 de abril de 2024, foi diretora do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra.

De 5 de abril de 2024 a 13 de fevereiro de 2025 exerceu as funções de Secretária de Estado da Cultura, no XXIV Governo Constitucional de Portugal.

É, desde 2007, a investigadora principal do “Grupo de Estudos Multidisciplinares em Arte” (GEMA), no Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP), Unidade de I&D-281, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Em colaboração com vários organismos estatais e entidades privadas tem tido uma ação destacada na defesa, conservação, investigação e divulgação do património escultórico e arquitetónico, bem como nos processos conducentes à musealização de vários espaços, públicos e privados.

A sua área de investigação principal tem sido a arquitetura portuguesa do século XVI, mas a mais de uma centena de trabalhos científicos publicados em Portugal, Espanha, Bélgica, Itália, Brasil e Estados Unidos da América abrange também o exercício de revisão conceptual em História da Arte, as questões patrimoniais ou os domínios da pintura e da escultura, desde os finais da Idade Média ao período neoclássico.