As ruínas da Domus Aurea, a residência palaciana mandada construir pelo imperador Nero em Roma, permaneceram soterradas durante séculos. Descobertas em 1488, à época apresentavam-se semelhantes a uma gruta e rapidamente passaram a ser exploradas por muitos dos mais célebres artistas italianos da época. O programa decorativo presente nas suas paredes internas causou uma verdadeira revolução no panorama pictórico e escultórico do Renascimento, com expressão máxima nas salas do Vaticano desenhadas por Rafael Sanzio. A influência da Domus Aurea no território português apenas se fez sentir alguns anos mais tarde e, sobretudo, no domínio da escultura de relevo. A decoração de grutescos foi utilizada de forma massiva por artistas como João de Castilho e Nicolau Chanterene nas obras do Mosteiro dos Jerónimos, muito embora apresentando níveis de refinamento dispares. Porém, fora João de Ruão, desde os primeiros anos de actividade até às obras da segunda metade do século XVI, quem mais explorou os grutescos enquanto recurso decorativo. Esta comunicação procurará explorar o fenómeno dos grutescos na cultura artística do Renascimento e a forma como este se manifestou na actividade escultórica de João de Ruão, sobretudo destacando elementos menos conhecidos da sua obra ou de mais difícil observação.

