As ruínas da Domus Aurea, a residência palaciana mandada construir pelo imperador Nero em Roma, permaneceram soterradas durante séculos. Descobertas em 1488, à época apresentavam-se semelhantes a uma gruta e rapidamente passaram a ser exploradas por muitos dos mais célebres artistas italianos da época. O programa decorativo presente nas suas paredes internas causou uma verdadeira revolução no panorama pictórico e escultórico do Renascimento, com expressão máxima nas salas do Vaticano desenhadas por Rafael Sanzio. A influência da Domus Aurea no território português apenas se fez sentir alguns anos mais tarde e, sobretudo, no domínio da escultura de relevo. A decoração de grutescos foi utilizada de forma massiva por artistas como João de Castilho e Nicolau Chanterene nas obras do Mosteiro dos Jerónimos, muito embora apresentando níveis de refinamento dispares. Porém, fora João de Ruão, desde os primeiros anos de actividade até às obras da segunda metade do século XVI, quem mais explorou os grutescos enquanto recurso decorativo. Esta comunicação procurará explorar o fenómeno dos grutescos na cultura artística do Renascimento e a forma como este se manifestou na actividade escultórica de João de Ruão, sobretudo destacando elementos menos conhecidos da sua obra ou de mais difícil observação.

Sobre o autor

Licenciado em História da Arte (2014) e mestre em História da Arte, Património e Turismo Cultural (2017), ambos pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e desde 2021 que desenvolve o doutoramento em História da Arte na mesma instituição. A sua tese incide sobre o tema “A prática arquitetónica no Renascimento: o Convento de Cristo de Tomar no reinado de D. João III”, tendo contado com o apoio de uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (UI/BD/151200/2021). É investigador no Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património desde 2018. Foi bolseiro de investigação no âmbito do projeto Invisible Woods: dendrocronologia das madeiras estruturais de edifícios dos centros históricos de cidades de Portugal (PTDC/EPH-PAT/2401/2014), entre 2018 e 2019 e do projecto Metodologias de investigação científica em Artes, Arqueologia e Património, em 2020. Também lecionou, na qualidade de Assistente Convidado, cadeiras de Licenciatura (Iniciação às Artes e Arte da Antiguidade Clássica) na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, durante os anos de 2018 e 2019. Os seus interesses científicos focam-se na produção artística e arquitectónica do século XVI, contando com diversas participações em colóquios nacionais e internacionais e respetivas publicações.