O escultor francês João de Ruão, ativo em Portugal entre as décadas de 1520 e 1570, constitui uma figura central para a compreensão da assimilação e transformação das linguagens renascentistas no contexto português. No reinado de D. João III (1521–1557), Portugal viveu um momento de transição cultural marcado pelo influxo de modelos italianos e flamengos, mediado por artistas estrangeiros e pela atuação de humanistas próximos à Corte. Propõe-se uma leitura da obra de João de Ruão como testemunho visual do primeiro Renascimento, com particular atenção à interação entre a tradição gótica e a inovação classicista. A comunicação procura, assim, refletir sobre o que João de Ruão viu, ou seja, como interpretou, adaptou e traduziu, em pedra, as obras artísticas mais relevantes do Renascimento em Portugal.