Livro de Resumos
João de Ruão: questões em aberto.A atenção historiográfica em João de Ruão tem sido, sobretudo desde o olhar de Prudêncio Quintino Garcia e da importante publicação documental de 1913, centrada no seu papel de escultor e formador de gerações de canteiros e lavrantes que prolongaram o sentido ornamental da arquitetura de Coimbra até aos inícios do século XVII. Só muito recentemente, os historiadores encetaram uma abordagem focada numa suposta aprendizagem ainda em território francês ou num hipotético percurso para o sul da Europa, encontrando um filão que permite melhor compreender as suas origens, tanto quanto as razões que o terão conduzido a Portugal.- Autor:
- Maria de Lurdes Craveiro, Prof. Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra / Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património
Do sussurro da pedra: o retábulo de São Pedro da Sé Velha de CoimbraAs mais recentes obras de conservação do retábulo da capela de São Pedro da Sé Velha de Coimbra permitiram observar, com outra correcção e detalhe, a disposição, escultura e a ornamentação que lhe dão corpo. Partindo do exame empírico, da análise comparativa dos elementos que compõem a obra, bem como da sua estrutura, na relação com a capela que a abriga, conjectura-se que este retábulo, que tem andado atribuído a Nicolau Chanterene, possa ter sido concebido por outra equipa de artistas. Para o efeito é necessário libertar o ano de 1526 (ou entre 1525-26), que tem sido avançado como provável para o da realização do retábulo, mas que configura apenas o tempo possível, uma vez que Nicolau Chanterene sairia de Coimbra no ano seguinte.- Autor:
- Carla Alexandra Gonçalves, Doutora em História de Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Universidade Aberta; CEAACP/UC
João de Ruão e as suas relações artísticas familiares, Nota genealógicaPresumivelmente nascido no romper do século, em Rouen como denuncia a raiz toponímica do seu nome, João de Ruão, de cuja ascendência não temos fontes genealógicas, encontra-se documentada em Portugal em 1528, onde certamente através de D.Jorge de Meneses, confirmado senhor de Cantanhede em 4 de Abril de 1527, se acerca das terras do Mondego, para lavrar o retábulo da Varziela, que será, na expressão de Nogueira Gonçalves, a página de introdução à sua obra de Coimbra, cidade em que centrará a sua actividade durante mais de meio século, até à sua morte ocorrida na freguesia de S.João da Cruz em 28 de Janeiro de 1580.- Autor:
- Fernando Larcher, Doutor pela Universidade Católica de Louvain
- A escultura arquitectónica de João de Ruão: iconografia e narrativa, geometria e composição, estratégias de significaçãoA chegada de João de Ruão a Portugal constituiu um importante marco para arte e a escultura portuguesa, pela inclusão e adenda de novas metodologias e linguagens então ditas ao romano.00 Começando por ser a sua perícia escultórica que mais o destacou – o que lhe granjeou imediata fortuna crítica, apreço e aceitação junto das elites cortesãs e religiosas – posteriormente notabilizou-se pelos seus inovadores e arrojados modelos compositivo, na articulação discursiva de todos os elementos estruturais e narrativos que evidenciam já a nova maneira.
- Autor:
- Francisco Henriques, Doutor em Ciências da Arte e do Património. CIEBA da Universidade de Lisboa.
O grutesco na obra de João de RuãoAs ruínas da Domus Aurea, a residência palaciana mandada construir pelo imperador Nero em Roma, permaneceram soterradas durante séculos. Descobertas em 1488, à época apresentavam-se semelhantes a uma gruta e rapidamente passaram a ser exploradas por muitos dos mais célebres artistas italianos da época. O programa decorativo presente nas suas paredes internas causou uma verdadeira revolução no panorama pictórico e escultórico do Renascimento, com expressão máxima nas salas do Vaticano desenhadas por Rafael Sanzio.- Autor:
- Gabriel Pereira, Doutorando em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra / Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património.
A obra escultórica de João de Ruão no contexto das Misericórdias: tipologias, modelos formais e estilísticosA obra de João de Ruão, figura central do Renascimento português, deu um importante contributo para o desenvolvimento arquitetónico e ornamental das Casas da Misericórdia. Destacam-se não apenas as obras em que interveio diretamente, mas também aquelas onde trabalharam os seus discípulos e descendentes. A par da definição de algumas das especificidades identitárias dos edifícios promovidas pelas confrarias da Misericórdia, o arquiteto-escultor realizou também obra de cariz escultórico para diferentes confrarias localizadas na zona centro do país, espaço no qual se regista a sua maior influência.- Autor:
- Joana Balsa de Pinho, Doutora em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa / Artis – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa
O que João de Ruão viu: Portugal e o Renascimento no reinado de D. João IIIO escultor francês João de Ruão, ativo em Portugal entre as décadas de 1520 e 1570, constitui uma figura central para a compreensão da assimilação e transformação das linguagens renascentistas no contexto português. No reinado de D. João III (1521–1557), Portugal viveu um momento de transição cultural marcado pelo influxo de modelos italianos e flamengos, mediado por artistas estrangeiros e pela atuação de humanistas próximos à Corte.- Autor:
- Pedro Flor, Doutor em História de Arte Moderna pela Universidade Aberta. UAB, Instituto de História da Arte da FCSH/ UNL
A Capela do Espírito Santo, do desaparecido Claustro da Portaria do Mosteiro de Santa Cruz: reconstituição de uma provável obra de João de RuãoO desaparecido Claustro da Portaria, com arcarias sobre colunas, foi levantado cerca de 1528, no âmbito da grande reforma do Mosteiro de Santa Cruz, de pendor renascentista, promovida por D. João III. Situava-se sobre o local do antigo mosteiro feminino das Donas (entretanto extinto), onde hoje se implanta o atual edifício da Câmara Municipal de Coimbra. Entre o referido Claustro da Portaria e o do Silêncio, a meio da ala nascente daquele, situava-se a Capela do Espírito Santo, muito elogiada pelos cronistas nas várias descrições coevas.- Autor:
- Rui Lobo, Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais (CES-UC) / Centro de Estudos de Arquitetura – do Território ao Design (CeArq-TD), Departamento de Arquitetura (DArq-FCTUC)
O retábulo de João de Ruão da capela de Santa Iria em Tomar: análise formal da composição geométrica oculta.A análise do Retábulo de Santa Iria, de João de Ruão, evidencia a aplicação de princípios geométricos e matemáticos na escultura renascentista portuguesa. Escultor francês radicado em Coimbra desde 1528, Ruão foi responsável pela introdução de uma linguagem classicista que funde escultura e arquitetura, respeitando os cânones vitruvianos de proporção, simetria e ordem. O retábulo, encomendado por D. Miguel do Valle para a Capela de Santa Iria em Tomar, organiza-se em três níveis visuais, com Cristo Crucificado ao centro, ladeado por figuras bíblicas e elementos arquitetónicos clássicos, como colunas coríntias e frontão ornamentado.- Autor:
- Simone A. Simino, Arquiteta e Urbanista / mestranda em Conservação e Restauro no Instituto Politécnico de Tomar
